quarta-feira, 13 de maio de 2009

PORQUE OS MINISTROS EROS GRAU E AYRES BRITTO NÃO MORALIZAM O SENADO?????

“É impossível detectar quando e onde começou a sucessão de erros que vem desordenando a vida administrativa do Senado ao longo de várias legislaturas...”

“...O Senado não se preocupou em se estruturar adequadamente. Gasta muito e mal...”

“...O desperdício é de tal ordem que suas despesas são relativamente superiores às do Congresso norte-americano”.

As três frases acima foram pronunciadas por Renan Calheiros em 1995. O Senado era presidido à época por José Sarney. Renan coordenava um “Grupo de Trabalho de Reforma e Modernização do Senado”.

Ao discursar, manuseava um estudo que a FGV acabara de concluir. Apontava, em cem folhas, as anomalias administrativas do Senado. Sugeria a adoção de providências urgentes. Decorridos 14 anos, o Senado está, de novo, sob a presidência de Sarney.

É o terceiro mandato dele. Dera as cartas entre 1993 e 1995 e entre 2003 e 2005. Agora, eleito para manusear o baralho entre 2009 e 2011, submete o Senado a um novo estudo da FGV. O primeiro, aquele de 1995, custara à Viúva R$ 882 mil, em valores da época.

O custo do novo não foi, por ora, divulgado. O conteúdo é o mesmo: as disfunções da administração do Senado. As soluções recomendadas no novo estudo evocam o diagnóstico do velho. Renan Calheiros, ele próprio ex-presidente de um Senado cuja degenerescência administrativa descambou para a corrupção, está agora em silêncio.

Deve-se ao líder tucano Arthur Virgílio (AM) a iniciativa de retirar do baú as palavras do Renan de 1995. Ele as rememorou da tribuna, nesta terça (12). Virgílio recuperou também as palavras ditas por Sarney ao tomar posse em fevereiro passado. Disse ele: “Agora, como em 1995, a FGV foi chamada, e o Senador Sarney, no discurso que proferiu na posse do 3º mandato na presidência do Senado, repetiu que ‘foi com o trabalho da FGV que se promoveu uma grande reforma aqui dentro’”.

Virgílio indagou: “Que grande reforma é essa, se nada de substantivo foi feito?” E acrescentou: “A crise que hoje amarga o Senado havia sido anunciada há exatos 14 anos. Nada se fez. Nem reforma, nem modernização”. O estudo de 1995 não é o único. Nos últimos cinco anos, disse Virgílio, a FGV “já faturou, em contratos com o Senado, R$ 3,3 milhões”.

Apontou falhas e indicou soluções. “Só que o Senado”, repetiu Virgílio, “permaneceu estático, nada fez, nada mudou, nada modernizou, nada reformou”. Eis o que concluíra a FGV em 1995: o Senado possuía níveis hierárquicos em demasia. Havia diretorias frequentemente resumidas a um único indivíduo (o diretor). Vicejava a superposição de órgãos e funções.

O setor de Recursos Humanos, que agora estrela o noticiário na figura do ex-diretor João Zoghbi, era apontado como principal foco de irregularidades. Recomendara-se que fosse reformulado o “relacionamento” com a diretoria-geral. Uma diretoria em que imperou, por 14 anos, o ex-mandachuva Agaciel Maia. Nomeado na primeira presidência de Sarney, também se encontra pendurado nas manchetes.

Ao encerrar o discurso, Virgílio disse: “Estamos diante de uma encruzilhada. Ou reformamos ou fingimos que reformamos...”

“...Se fingirmos que reformamos, nós simplesmente liquidaremos de uma vez a credibilidade da Casa”.

Acrescentou: “Isso aqui não é um playground. Nós temos que dar as respostas que a sociedade exige, e isso impõe responsabilidade a todos”.

O líder tucano disse, de resto, que deseja “a punição dos ladrões que infelicitaram” o Senado. Insinuou o óbvio: malfeitores e malfeitorias são conhecidos à saciedade. “Está na hora de mais franqueza e de mais verdade por pessoas que conhecem esta Casa...” Pessoas “...que conhecem quem é quem e que devem usar de uma sinceridade que talvez não esteja sendo total neste momento”.

2 comentários:

Anônimo disse...

...se gritar pega ladrão não resta um naquela casa...

Mano disse...

Esse é o Coronel que todos conhecemos. Onde ele passa deixa um rastro de podridão e corrupção!