quinta-feira, 3 de julho de 2008

VAI COMEÇAR O VALE FESTEJAR

E como ele vale reproduzir a palavra de um expert, o historiador Câmara Cascudo, respeitadíssimo, contribuição de minha leitora assídua, que já se tornou a amiga Magadala.

Cascudo afirmou em nota no Cláudio Humberto que "parte dessa tradição migrou para a Amazônia com o nome de boi-bumbá. Mas o autêntico bumba-meu-boi está no Maranhão".

O receio é de que a autenticidade, que os folguedos maranhenses ainda possuem, se tornem estilizado, grandiosos e sobretudo comerciais como muito classificam o festival de Parintins no Amazonas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Prezado Ricardo
Quando as organizações Globo anualmente divulgam os folguedos "nordestinos", em horário nobre, destacam sempre as quadrilhas, forrós, fogueiras, casamento caipira e outros símbolos da festa que eclode na porção superior do mapa do Brasil, durante o mês de junho, mas que nada têm a ver conosco, os maranhenses.
Agrada-me presenciar tanta alegria nas tradições revividas, porém me invade a sensação desconfortável, de "patinho feio", constatando que os nossos festejos, autênticos, sejam sempre ignorados, ou confundidos, distanciados de sua autenticidade.
Problemas de um país continental, consolo-me.
Agora o colunista Cláudio Humberto invoca o depoimento do historiador, folclorista, antropólogo, advogado e jornalista, Luís da Câmara Cascudo, potiguar (Natal, 30 de dezembro de 1898 — Natal, 30 de julho de 1986), publica a nota que lhe enviei e nos faz justiça. FINALMENTE.
Minha infância e juventude vividas entre São Luís e Vale do Pindaré me proporcionaram desfrutar da riqueza folclórica de nossa terra em sua expressão mais pura.
Louvo aos céus por essa benesse.
Outrossim, a vivência em outras paragens, Brasil afora, permitiu-me conhecer manifestações variadas, compreender e apreciar a diversidade cultural que marca cada região do nosso país continental.
As raízes culturais de um povo são suas impressões digitais. Acompanham-no por toda a vida, indeléveis, ÚNICAS.
Nós, maranhenses, temos sido bem infelizes ultimamente, ante o conceito nacional, mal representados, desprestigiados, alvo de escândalos rumorosos, classificados como "capitania hereditária" retrógrada, disputando a "lanterninha" do atraso e outros tristes índices.
Ocorrem-me, incontroláveis, lembranças das lendas contadas pelas carinhosas "bás" da infância, falando sobre "maldições", "castigos", "as-
sombrações" e tantos outros vestígios deliciosos de nossa admirável herança cultural nutrida nas vertentes européia, africana e indígena, formadoras de nossa identidade, da qual o bumba meu boi é o mais expressivo exemplo.
Invocando o mito do Sebastianismo, apraz-me crer que talvez esteja próximo o tempo de nossa redenção sócio-econômica e apareça um "Libertador".
Até que raie esse dia glorioso, que pelo menos se faça justiça a um valor precioso e realmente NOSSO, independente de todo o apelo comercial embutido.
Agradeço a consideração carinhosa e subscrevo-me atenciosamente
Sua leitora
Magdala Domingues Costa