quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A nova empreitada de Renan e Sarney

Para entender o que se passa entre os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP) é preciso retroceder a janeiro de 2003, quando ambos disputavam à cadeira de presidente do Senado.

A solução encontrada pelo xerife do governo Lula, à época, José Dirceu, foi celebrar um acordo de cavalheiros. Sarney presidiria o Senado nos dois primeiros anos da era Lula e Calheiros os dois últimos.

Feito o acordo, nenhum devia nada ao outro. Até que em dezembro de 2005, o senador José Sarney necessitou dos préstimos de Renan, que ocupava a cadeira de presidente do Senado.

Era um favorzinho besta, dar velocidade a perda do mandato do senador João Capiberibe, que tinha tido a ousadia de sair em socorro do governador do Maranhão, José Reinaldo, para que o Senado aprovasse um empréstimo engavetado por Sarney, quando presidente no biênio 2003/2004.

Pensando no futuro, Renan aquiesceu ao pedido de Sarney. Em velocidade de fórmula Um, o alagoano atendeu a risca a solicitação. Capiberibe foi sumariamente expurgado da Casa, apesar dos protestos de mais de cinco dezenas de senadores, que queriam dar o direito de defesa, ao senador do Amapá, compatível com as desconfianças do ato perpetrado no STF, pois o presidente Nelson Jobim votou contra o réu para desempatar a questão, quebrando uma norma secular.

Posto isso, está claro que Sarney ficou devendo uma a Calheiros. Ao surgir o Caso Mônica, o senador alagoano bateu a porta da mansão do maranhense e apresentou a fatura. Era chegada a hora do pagamento.

Sarney pagou a fatura, ajudando Renan a escapar da cassação do mandato. Claro que foi uma operação difícil, que requereu convencer o Planalto e o PT da necessidade de manter Renan no Senado.

Em sessão secreta, facilitadora do cumprimento da absolvição, Renan e Sarney ficaram quites. Um não devia nada ao outro. Eles zeraram o jogo novamente.
Agora, com a vitória do PMDB nas eleições municipais, os dois estão juntos na empreitada de aumentar suas participações pessoais no governo Lula, preferencialmente abocanhando a Infraero e o ministério da Justiça, numa operação que passa pelo deslocamento de Jobim das Selvas para o lugar de Tarso e a colocação de Aldo Rebelo, amigo-irmão de Renan, no lugar de Jobim das Selvas.

Um plano engenhoso, no qual a eleição para a presidência do Senado é apenas pano de fundo para as pretensões de Renan e Sarney.
Se o plano vingar, Tião Viana presidirá o Senado.
Lula cumprirá a promessa feita a Jorge Viana em troca do pagamento de mais uma fatura a Renan e Sarney.

3 comentários:

Anônimo disse...

SARNEY/RENAN CALHEIROS, É A COMBINAÇÃO DO QUE EIXTE DE MAIS IGNÓBIL, PODRE E DESPREZÍVEL NA POLÍTICA BRASILEIRA.

Anônimo disse...

Infelizmente para desgraça do país, esses dois não são dignos de vestir calças, não são seres humanos, são vermes.

Anônimo disse...

Você já notou,caro Ricardo, que o sistema oligárquico, ainda presente em vários estados da federeção, provém dos lugares miseráveis, comandados por coronéis com mentalidade do século XVIII?!
O "coronel Renan" cristão novo, surgido com o Collor, aprendeu rápido; ele hoje é "mais um" a causar repulsa por seus métodos torpes.
Ao combateres essa quadrilha espúria, contribuis para que o processo, de podre,desapareça.
O Maranhão não merece Sarneys e seus acólitos, ricos materialmente, mas supurados de pobreza moral, que tanto nos envergonha.